[Clube P.S.:] O quadro perdido em Oxford

“O quadro perdido em Oxford”, de Gisele Castro, é o terceiro livro publicado em nosso Clube Literário.

Sinopse

Abby não segue muitas regras, mas não foi por isso que acabou em um tribunal e precisou pagar centenas de horas de serviço comunitário. Foi em parte por causa do ex-namorado, em parte por causa de um cachorro. Também não foi por isso que seus pais a tiraram de casa. Na verdade, a viagem que eles lhe deram para Oxford foi um presente, uma chance de se afastar dos problemas que teria no Brasil, mas se tornou muito mais do que isso. Ao se meter em encrenca logo ao chegar na Inglaterra, ela conhece Sam. Ou talvez ela apenas encontre Sam, um velho conhecido que vai acompanhá-la em sua busca por perdão e redescoberta. Afinal, foi apenas um acidente.

Prólogo

O silêncio da avenida Helvétia em São Bernardo do Campo foi cortado pelo som de um carro freando bruscamente e os gritos da motorista e da mulher na calçada. A criança de aproximadamente seis anos se encontrava delicadamente deitada no asfalto molhado. O sangue que escorria de sua testa se misturava com a água corrente da chuva. Aos poucos, algumas pessoas se aglomeravam ao redor da cena.

Essa particular avenida era composta por prédios baixos, algumas casas e mercearias. Muito movimentada durante a semana. Mais tranquila aos domingos, dia do acidente.

A mulher loira, mãe da criança, correu ao encontro do corpo pequeno e imóvel. Gritava e clamava por ajuda. Ela parara por um minuto para conversar com uma conhecida. Estavam próximas ao edifício no qual moravam, Paraguai. Naquele minuto, a pequena soltara sua mão e correra despretensiosamente atrás de um cachorro de rua que passava. Cachorro este que também fora motivo do acidente.

Foi com esse cachorro que Abby se assustara na direção. Ela voltava da Pauliceia, um bairro muito próximo. Fora contar ao namorado que tinha sido aceita na escola King’s Education em Oxford, em um curso de três meses para prepará-la para um certificado muito importante na língua inglesa. Era o que precisava para ingressar no mestrado. Qual fora sua surpresa ao abrir a porta do apartamento de seu amado e pegá-lo com outra. Qualquer outra. Entre gritos e tapas, Abby saíra correndo e, da mesma forma, dirigira seu carro. Correndo.

O cachorro atravessara o caminho de Abby na fatídica avenida. Assustando-se, ela jogara o carro para a esquerda, atingindo em cheio a pequena Lucy. Ficou imóvel quando sentiu o baque. Atropelara o cachorro? Não, parecia algo maior. Tremendo ao volante, inclinou o corpo para frente e viu a menina no chão. O vestido amarelo com flores laranjas encharcado. O sapatinho boneca preto não estava em um dos seus pés.

— Não, não! Meu Deus, me diz que isso não aconteceu!

A mãe gritava “assassina” e pedia para que as pessoas chamassem a polícia. Ao mesmo tempo, erguia sua menina do chão e dava beijos em seu rosto na tentativa de acordá-la. Em meio ao desespero, Abby pensou em fugir, porém isso traria problemas muito maiores. Aos prantos, procurou o celular na bolsa. Era preciso lidar com a situação. Agora.

— Pai. — Ela fungou. — Eu, eu acho que matei uma pessoa.

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Data de recebimento: setembro.

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