Como escrevo com cores, números e anotações pela casa

Não é todo mundo que me pergunta como eu escrevo. As pessoas costumam perguntar mais como eu consigo escrever tanto. Isso normalmente quer dizer que elas acharam o livro grande demais ou que elas são completamente da área de exatas e escrever um e-mail já é desafiador o bastante. Então a resposta normalmente é que eu gosto de fazer isso, então não é doloroso para mim como parece ser para elas. Mas, enfim, esse post não é sobre isso.

Algumas pessoas já me perguntaram sobre meu processo criativo, e, embora eu nunca tenha pensado nisso enquanto escrevia, eu consegui encontrar uma resposta olhando algumas fotos que tirei quando cheguei ao final dos dois livros: listas de capítulos organizados em cores. O processo se repetiu agora que comecei a escrever a história online “Ele quer dançar”. Então existe um certo padrão, embora eu nunca tenha visto isso como um processo sólido.

Início

Eu normalmente começo um livro sabendo o assunto, conhecendo os personagens, algumas coisas pelas quais eles vão passar e o final. Assim, eu começo a escrever sem pensar em como cada capítulo vai ser e deixando a história se montar enquanto escrevo.

  • Canetas de lousa

É nessa fase em que os vidros e espelhos da minha casa viram um enorme quadro de anotações. Neles, anoto pequenas ideias em que preciso pensar melhor (assim acabo olhando para elas o tempo todo), detalhes miúdos de que não posso me esquecer de jeito nenhum (mas corro o risco de esquecer) porque vão casar com algum capítulo lá na frente e ideias que tenho quando estou correndo com outra coisa.

Meio

Logo chega o momento em que eu travo, porque a história chegou em uma parte difícil, onde muitas coisas precisam acontecer, algumas coisas se enrolaram, outras se desenrolaram, e eu preciso saber capítulo por capítulo para que nada fique sem pé nem cabeça.

  • Cores

É quando eu escrevo todas as cenas que tenho na cabeça, bagunçadas mesmo em um papel qualquer, depois as organizo em ordem cronológica em folhas sulfite, numerando cada capítulo com suas cenas e os detalhes que fui anotando nos vidros e memorizando enquanto ficava olhando as anotações nas paredes.

No caso de “Vai sonhando”, principalmente, as cores foram muito importantes, já que eu eu tinha três histórias acontecendo ao mesmo tempo: a do Shaun, a do Double e os sonhos. Visualizar o cena-a-cena para balancear o livro entre essas três frentes ficou muito mais fácil escrevendo cada uma das histórias em uma cor diferente.

Fim

Chega a hora de checar se as coisas se encaixaram cronologicamente, se nenhuma informação ficou contraditória, qual conexão de um capítulo com outro, se faltou explicar algo, etc. Como o esquema de cores funciona bastante para mim, eu continuo com eles.

“Ele quer dançar”, que está sendo postada capítulo por capítulo, é um exemplo de como isso funciona. Na foto do post, eu tenho as ideias principais em cinza, as ideias que precisei acrescentar em laranja e as modificações finais em roxo. Como essa história não pode ser alterada depois de finalizada, como seria em um livro impresso, as partes de Início, Meio e Fim estão se misturando a cada capítulo. Uma pequena alteração no 2º vira uma mudança colorida lá no 28º, por exemplo.

É só isso para mim.

Eu sei que tem autor muito mais organizado, que não começa a escrever sem saber cada virada da história e cada número de capítulo. Mas a verdade é que essas coisas funcionam diferente de pessoa para pessoa. Já fiz alguns vários cursos de escrita e sei de algumas coisas que não funcionam para mim e que tem gente que jura de pés juntos que são comprovadamente eficazes para aguçar a criatividade. Mas acho que nada funciona para todo mundo. Então, se você estiver escrevendo, encontre o seu melhor jeito. Sua desorganização pode ser um tipo de organização para você.

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